
Os preços futuros do milho encerraram a quinta-feira (5) em queda nas bolsas de Chicago (CBOT) e brasileira (B3), devolvendo a recuperação observada no pregão anterior. Enquanto os contratos norte-americanos voltaram a trabalhar próximos dos US$ 4,40 por bushel, a B3 registrou perdas superiores a 1% em alguns vencimentos. Apesar da pressão recente, o mercado disponível brasileiro pode estar próximo de encontrar um fundo de preços, segundo avaliação de Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, que também alerta para a possibilidade de uma entrada antecipada da safrinha de 2027.
Nas últimas cotações apresentadas pela Barchart, o contrato dezembro/26 do milho era negociado a US$ 4,4000 por bushel em Chicago, com queda de 4,50 cents, equivalente a 1,01%. O março/27 recuava 3,75 cents, para US$ 4,5450, enquanto o maio/27 perdia 3,25 cents, cotado a US$ 4,6325. O julho/27 apresentava desvalorização de 2,75 cents, negociado a US$ 4,7075 por bushel.
A queda ocorreu depois de uma abertura positiva, quando o dezembro/26 chegou a ser negociado a US$ 4,4775 por bushel. Entretanto, os contratos perderam força ao longo da sessão e retornaram ao campo negativo, devolvendo os ganhos registrados na quarta-feira (4).
Exportações americanas seguem no radar, mas oferta continua pressionando
Os dados mais recentes de vendas para exportação dos Estados Unidos acrescentaram novas informações ao cenário de demanda internacional pelo milho.
Segundo o relatório semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), referente à semana encerrada em 29 de outubro, as vendas líquidas de milho para a temporada 2026/27 somaram aproximadamente 1,29 milhão de toneladas, ligeiramente abaixo das 1,30 milhão de toneladas registradas na semana anterior.
Entre os principais compradores estiveram México, destinos não revelados e Colômbia. Os embarques efetivos alcançaram aproximadamente 1,03 milhão de toneladas no período.
Apesar da continuidade das contratações, as perspectivas de oferta elevada seguem influenciando o mercado. Nesta semana, a StoneX elevou sua estimativa de produtividade americana para 183,1 bushels por acre, passando a projetar produção de aproximadamente 16,2 bilhões de bushels para a temporada 2026/27.
No campo, a colheita norte-americana alcançou 74% da área cultivada até 1º de novembro, segundo o USDA, permanecendo três pontos percentuais abaixo da média dos últimos cinco anos.
O mercado também acompanha a demanda industrial. Na quarta-feira, a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) informou que a produção média de etanol alcançou 1,143 milhão de barris por dia na semana encerrada em 30 de outubro, crescimento de 25 mil barris diários em relação ao levantamento anterior.
Os indicadores mostram a continuidade da demanda pelo cereal, embora ainda não tenham sido suficientes para sustentar uma recuperação consistente dos preços futuros.
B3 recua em todos os vencimentos
Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros de milho também encerraram a quinta-feira com desvalorizações generalizadas.
O novembro/26 fechou cotado a R$ 67,11 por saca de 60 quilos, com recuo de 0,31%. O janeiro/27 perdeu 0,73%, terminando a R$ 71,20, enquanto o março/27 apresentou a maior queda entre os principais vencimentos, de 1,17%, para R$ 75,30.
O maio/27 registrou desvalorização de 0,84%, encerrando a R$ 74,52 por saca, enquanto o julho/27 recuou 0,72%, para R$ 74,46. Já o setembro/27 terminou a R$ 75,25, com baixa de 0,37%.
As perdas ocorreram em um cenário de pressão internacional, enquanto o mercado brasileiro continua acompanhando o comportamento do câmbio, as condições de comercialização e as perspectivas para a próxima safra.
Mercado disponível pode estar próximo de um fundo, avalia Pátria Agronegócios
Apesar das desvalorizações recentes, Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, considera que o mercado disponível de milho brasileiro já incorporou uma parcela importante da pressão observada nos últimos meses.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta quinta-feira, o especialista avaliou que as cotações podem encontrar sustentação ainda em novembro, abrindo espaço para uma recuperação a partir de dezembro.
"Para o milho disponível eu diria que não vejo o mercado caindo mais tanto. É um mercado que já caiu muito nos últimos 45, 60 dias. É um mercado que, na minha visão, vai encontrar um fundo já agora dentro do mês de novembro e abre espaço para uma melhora de dezembro em diante", afirmou.
A avaliação representa uma perspectiva do analista, e não uma garantia de recuperação dos preços. O comportamento do mercado continuará dependendo da disponibilidade regional, da demanda dos compradores e das condições de comercialização.
Safrinha antecipada pode colocar milho novo no mercado já em maio
Para 2027, entretanto, Palavro chama atenção para um fator que poderá influenciar a formação dos preços: a possibilidade de uma janela excepcionalmente favorável para o plantio da segunda safra no Centro-Oeste.
Segundo o especialista, o desenvolvimento antecipado da soja em importantes regiões produtoras poderá permitir a implantação precoce do milho safrinha, caso não ocorram atrasos relevantes na colheita.
"Olhando para uma janela de plantio de safrinha, que vai ser muito, muito precoce, provavelmente a gente vai ter a melhor janela de safrinha que já tivemos na história, salvo muitas chuvas na colheita, salvo algo que prolongue muito o ciclo", destacou.
Palavro avalia que a situação deve ser especialmente favorável em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. No Paraná, as condições são diferentes, devido ao desenvolvimento mais lento de parte das lavouras após a persistência de temperaturas baixas.
A antecipação do calendário poderá provocar reflexos sobre o abastecimento doméstico.
"Vejo que, para o centro do país, MS, Goiás e Mato Grosso, vai ser a melhor janela de plantio de safrinha que nós tivemos, e isso vai colocar milho já em maio dentro do nosso mercado, safrinha", afirmou.
O cenário ainda depende da evolução das condições climáticas e do andamento da colheita da soja. Entretanto, a possibilidade de oferta antecipada representa um fator importante para o planejamento comercial dos produtores.
Contratos futuros podem oferecer oportunidades de proteção
Diante dessas perspectivas, o diretor da Pátria Agronegócios recomenda atenção às oportunidades de comercialização antecipada do milho da próxima safra.
Segundo Palavro, a valorização recente do dólar ajudou a melhorar as referências de preços futuros, permitindo a realização de operações consideradas atrativas em algumas regiões produtoras.
O especialista destacou o contrato setembro/27 da B3, que trabalhava próximo dos R$ 75 por saca. Na avaliação dele, essa referência poderia representar preços ao produtor de aproximadamente R$ 62 a R$ 63 em Goiás, pouco abaixo de R$ 60 em Mato Grosso do Sul e entre R$ 53 e R$ 55 em Mato Grosso, dependendo das condições regionais.
Os valores são estimativas apresentadas pelo analista e não representam ofertas firmes de compra.
Palavro também ressaltou a importância de avaliar os contratos futuros como instrumentos de proteção comercial, especialmente diante da possibilidade de entrada antecipada de milho no mercado brasileiro.
A estratégia, entretanto, deverá considerar os custos de produção, as necessidades financeiras e as condições individuais de cada propriedade.
Mercado físico registra altas pontuais no Paraná e Mato Grosso do Sul
No mercado físico brasileiro, o levantamento do Notícias Agrícolas mostrou predomínio de estabilidade nesta quinta-feira, com valorizações pontuais e algumas quedas regionais.
Em Ubiratã e Marechal Cândido Rondon, no Paraná, as cotações avançaram 1,96%, terminando a R$ 52,00 por saca nas duas localidades.
Em Eldorado, Mato Grosso do Sul, o milho registrou valorização de 2,11%, com a referência passando para R$ 48,50. Já Maracaju, Campo Grande e São Gabriel do Oeste permaneceram estáveis, depois das perdas expressivas observadas no pregão anterior.
Entre as baixas, Sorriso, em Mato Grosso, apresentou recuo de 0,47%, para R$ 42,50 por saca, enquanto Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, registrou desvalorização de 1,64%, terminando a R$ 60,00.
Em Goiás, Jataí e Rio Verde mantiveram as cotações em R$ 54,00 por saca. Nos portos, Paranaguá permaneceu a R$ 69,00, enquanto Santos seguiu com referência de R$ 65,00.
O comportamento mostra que a pressão dos futuros não se refletiu de maneira uniforme sobre as negociações físicas brasileiras.
Para os produtores, a avaliação de possível recuperação do mercado disponível nos próximos meses contrasta com os riscos associados à oferta antecipada da safrinha de 2027. A combinação reforça a importância de acompanhar as oportunidades de comercialização do milho disponível e, simultaneamente, avaliar estratégias de proteção para a próxima temporada.